8 Lendas do Folclore Brasileiro sobre criaturas aquáticas


8 Lendas do Folclore Brasileiro sobre criaturas aquáticas

As lendas do folclore brasileiro sobre criaturas aquáticas são ricas, fortes e nos ensinam superação, crença e perseverança.

8 Lendas do Folclore Brasileiro sobre criaturas aquáticas

A Riqueza do Folclore Brasileiro

As lendas do folclore brasileiro estão, em meu ponto de vista, entre as mais fascinantes. Não entendo como não são mais exploradas por escritores e roteiristas. Talvez por falta de conhecimento, ou por valorizarmos muito o que vem de fora.

E quando se trata das criaturas aquáticas do nosso país… as lendas do folclore brasileiro são cheias de magia.

Neste artigo eu pretendo te apresentar 8 Lendas do Folclore Brasileiro sobre criaturas aquáticas que mais gosto. Algumas já usei em contos e livros. Outras, logo estarão presentes.

Mesmo que os mitos mudem um pouco dependendo da região desse nosso país maravilhoso, uma coisa é certa: a riqueza de nosso folclore é algo que não podemos deixar de lado.

8 Lendas do Folclore Brasileiro sobre criaturas aquáticas

Por isso separei essas 7 Lendas Aquáticas do Folclore Brasileiro para você conhecer.

Hoje nós conversaremos sobre:

  • Iara – a índia renascida das águas
  • Boto-cor-de-rosa – o Brad Pitt do nosso folclore
  • Negro d’água – o saci dos rios
  • Ipupiara – o demônio d’água
  • Boiúna – o criador
  • Vitória-régia – a apaixonada
  • Mboi Tu’i – o papagaio que nada
  • Juriti – passarinho que guarda rios

Iara – a índia renascida das águas | lendas do folclore

Essa é uma das lendas do folclore brasileiro mais bonitas, no quesito superação. É dark, mas é bonita.

Iara - lendas do folclore
Iara

Iara era uma linda indígena, filha de um poderoso pajé. Tinha sete irmãos, fortes guerreiros. Porém, ela era mais habilidosa que todos eles.

Um dia os irmãos se enfureceram por sua irmã ser melhor que eles na arte da luta. Se uniram e tramaram contra ela. Acreditaram que, juntos, a derrotariam e matariam. Assim apagariam a vergonha de terem uma irmã guerreira.

Para surpresa de seus irmãos, Iara venceu a todos. Tamanha foi a intensidade da luta, que os sete irmãos da guerreira pereceram.

Com medo da ira de seu pai, Iara fugiu.

O cacique, ao saber da morte dos filhos, odiou a filha. A perseguiu sem descanso, e quando a alcançou, lançou a garota no rio para morrer.

Iara foi salva pelos peixes e transformada. Alguns dizem que foram os deuses aquáticos que habitam em Loca, reinos dos deuses marinhos brasileiros, nos fundos das águas.

Desde então, para se vingar, Iara canta para atrair homens para os rios. E quando eles chegam, ela os leva para o fundo dos mares.

Existe um consenso geral que a Iara é uma sereia. Algo interessante, no entanto, é que muitos atribuem o termo iara para todas as sereias de água doce. E o termo sereia fica para suas primas de água salgada.

Foram muitos os escritores que exploraram as lendas da Iara. Um desses trabalhos me conquistou: Contos Fantásticos do Folclore Brasileiro, do escritor Júnior Salvador.

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Iara em Etherion

Nossa querida Iara também aparece em meu livro Lâminas e Corações, onde a deusa Athena interage com deuses da mitologia japonesa e da mitologia tupi-guarani. Iara é uma das criaturas folclóricas que aparece no livro, interagindo com Athena e Pallas, as protagonistas da história. Juntas, elas tentarão, ao lado de Tupã e outros deuses brasileiros, impedir uma invasão em larga escala de youkais (demônios japoneses) no Brasil.

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Boto-cor-de-rosa – o Brad Pitt do nosso folclore | lendas do folclore

O Boto-cor-de-rosa é um animal da fauna aquática brasileira. Ele é da família dos golfinhos, mas não é isso que o torna tão especial para nosso folclore.

Boto-cor-de-rosa - Lendas do folclore
Boto-cor-de-rosa

Segundo lendas indígenas, o Boto se transforma um homem bonito e sedutor nas noites de lua cheia. Ele tem preferência para aparecer em noites das Festas Juninas, como Santo Antônio, São João e São Pedro.

O visual clássico do Boto é calça, camisa, terno e chapéu. Tudo branco.

Alguns falam que o chapéu é para esconder a narina, pois sua transformação não é completa.

Com seu papo sedutor, ele leva a garota mais bonita da festa para o rio. Quando ela volta, abandonada, ele já se transformou em boto-cor-de-rosa e fugiu. Todas as garotas voltam grávidas do Boto.

Criou-se então a lenda que, toda criança sem pai é filha do Boto.

Negro d’água – o saci dos rios | lendas do folclore

Conta a lenda que o Negro D’água ou Nego D’água vive em diversos rios. Manifestando-se com suas gargalhadas, preto, careca e mãos e pés de pato, o Negro D’água derruba a canoa dos pescadores, se eles se negarem de dar um peixe.

Negro D'água - Lendas do folclore
Negro D’água

Em alguns locais do Brasil, ainda existem pescadores que, ao sair para pescar, levam uma garrafa de cachaça e a jogam para dentro do rio, para que não tenham sua embarcação virada.

Segundo a Lenda do Negro D’Água, ele costuma aparecer para pescadores e outras pessoas que estão em algum rio. Não se há evidências de como nasceu esta Lenda, o que se sabe é que o Negro D’Água só habita os rios e raramente sai dele, seu objetivo seria como amedrontar as pessoas que por ali passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes dando sustos em pessoas a barco, etc.

Suas características são muito peculiares, ele seria a fusão de homem negro alto e forte, com um anfíbio. Apresenta nadadeiras como de um anfíbio, corpo coberto de escamas mistas com pele.

Fonte: Só História

Ipupiara – o demônio d’água | lendas do folclore

Segundo relato do historiador e cronista português, Pero de Magalhães Gândavo, em seu livro História da Província de Santa Cruz, foi encontrado na praia da Vila de São Vicente, nos idos 1564, um monstro marinho chamado, na época de Ipupiara. Segundo consta, uma índia escrava passeava a noite na orla da praia, onde hoje é a praia do Gonzaguinha, quando avistou Ipupiara andando na areia.

O monstro soltava gritos estranhos.

Ipupiara - Lendas do folclore
Ipupiara

A índia voltou correndo e chamou Baltasar Ferreira. Baltasar era o filho do amo da índia, o Capitão-mor da Vila. Mesmo não acreditando na índia, mas sentindo seu desespero, pegou sua espada e, já no local do avistamento, assustou-se com o formato, pouco nítido, encoberto pela escuridão noturna.  Ao se aproximar, Ipupiara tentou fugir e voltar ao mar.

Com coragem, Baltazar impediu que o monstro sumisse e, diante dele, perfurou o monstro na barriga. Da ferida, sangue jorrou e mais gritos ouviu-se na tentativa de morder seu oponente. Tamanho barulho acordou os demais que logo chegaram e, aos olhos de todos, jazia o monstro nas mãos da multidão. Levado à praça, a população em polvorosa rodeava aquela carcaça enorme e assustadora.

O nome Ipupiara foi dado pelos índios que significava demônio d’água. Possuía 3,5 metros de altura, braços longos, pés de barbatanas, dentes pontiagudos, o corpo coberto de pelos e focinho com bigode.

Fonte: Cidade e Cultura

Boiúna – o criador | lendas do folclore

A Boiúna também é conhecida por outros nomes: Mboi-Una, cobra-grande, mãe-do-rio ou senhora-das-águas. Ela está ligada aos mitos amazônicos da criação da vida, dando origem a vários animais.

Boiuna - Lendas do folclore
Boiúna

Ela é uma cobra enorme que habita as profundezas dos rios. Costuma virar embarcações para levar os pescadores para as profundezas. E, já que estavam ali, de bobeira, ela os devorava.

Algumas lendas dizem que Boiúna imita embarcações, para que náufragos nadem em sua direção. Em outras histórias, ela aparece como uma linda mulher, que seduz os pescadores (embora nessa última eu ache que o povo confunde com a Iara).

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Boiúna em Etherion

No universo de Etherion, Boiúna é uma das filhas da xamã-monstro Cuca. Ela aparece pela primeira vez no livro Lâminas e Corações, enfrentando vários guerreiros de Eldorado ao lado de Pallas. Nesse ataque ela apoioa os youkais (demônios japoneses) junto com sua irmã Boitatá.

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Vitória-régia – a apaixonada | lendas do folclore

Naiá era uma linda índia que se apaixonou por Jaci, a deusa da lua (em muitas versões, o deus da lua). Nessa época, Jaci tinha o costume de namorar as mais lindas entre as jovens índias. Até costumava levar as que mais gostava consigo.

Vitória Régia - Lendas do folclore
Vitória Régia – Lendas do folclore

Nossa querida Naiá vivia cada dia com expectativa do dia em que Jaci a escolheria. Apesar dos avisos dos índios mais velhos de que, quando uma garota era levada por Jaci, se transformava em estrela, ela não se importava. Só queria ficar com Jaci pelo resto da vida.

A obsessão de Naiá chegou a um ponto crucial. A índia não comia ou bebia. Só ficava esperando Jaci, enquanto admirava seu esplendor nos céus da noite.

Em uma noite em que o luar estava no auge da beleza, Naiá chegou à beira de um lago. Ela viu a lua refletida no meio das águas, e teve certeza de que Jaci havia descido dos céus para buscá-la. Assim, Naiá pulou no lago, nadando em direção à imagem da Lua.

Quando percebeu que aquilo era uma ilusão, se apavorou. Ela tentou voltar, mas não conseguiu e morreu afogada.

Comovido, Jaci transformou a jovem em uma estrela diferente de todas as outras: uma estrela das águas. Criou assim a Vitória-régia. Por esse motivo, as flores perfumadas e brancas dessa planta só abrem no período da noite.

Mboi Tu’i – o papagaio que nada | lendas do folclore

Mboi Tu’i é um dos sete monstros lendários, uma das lendas mais famosas do folclore brasileiro.

Algumas lendas dizem que existem vários Mboi Tu’i. Ele é conhecido nos folclores de vários povos da América do Sul.

Mboi Tu'i - lendas do folclore

Mboi Tu’i se traduz literalmente como “serpente-papagaio”, que descreve a aparência destas criaturas. Mboi Tu’i tem a forma de uma enorme serpente, com uma enorme cabeça e bico de papagaio. Ele também tem uma língua bifurcada vermelho da cor do sangue. Sua pele é escamosa. Penas cobrem a sua cabeça. Possui um par de asas em branco, rubro e preto. Em sua cauda, um artefato metálico com lascas de rubelita a dão continuidade, permitindo o voo e contendo uma enzima que enfraquece seu veneno. Ele tem um olhar prejudicial que traz memórias horrorosas não verdadeiras, além de predições angustiantes a quem se expõe, assustando a todos que tem a má sorte de ser encontrado por ele.

Ele patrulha pântanos e protege a vida dos anfíbios. Gosta da umidade e de flores, e solta um poderoso e terrível grito incrível que causa trauma nos órgãos de quem ouve de longe, podendo deslocar o coração e o pulmão para fora de quem ouvir de perto. É considerado o protetor das áreas úmidas e dos animais aquáticos, pois precisa deles para conseguir uma forma física dita superior.

Juriti – passarinho que guarda rios | lendas do folclore

Juriti - lendas do folclore
Juriti – lendas do folclore

Em algumas lendas uma deusa indígena, em outras uma ave divina. Juriti está ligada ao surgimento dos rios Xingu e Amazonas.

Segunda a lenda, os três filhos de Cinaã foram até Juriti. A ave era quem guardava toda água do mundo em três tambores. Os três irmãos pediram água para Juriti, que se negou lhes dar de sua preciosa água.

Eles voltaram chorando para casa. Lá chegando, contaram ao pai o que acontecera. Cinaã os advertiu a nunca mais se aproximarem de Juriti. Disse que nos tambores havia peixes muito grandes.

Porém, os três não ouviram e lá voltaram no dia seguinte. Como Juriti se recusava a lhes dar água, eles quebraram seus tambores. Um enorme peixe saiu de lá e engoliu um dos irmãos, Rubiatá. Os outros dois fugiram formando caminhos que se tornavam rios e cachoeiras, conforme o enorme peixe os perseguia. A criatura trazia com ela as águas dos tambores quebrados de Juriti. Quando os irmãos olhavam para trás, conseguiam ver os pés de Rubiatá saindo da boca do enorme peixe.

Continuaram a correr até chegar no Amazonas. Lá os irmãos pegaram Rubiatá, que estava morto. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. Rubiatá virou gente novamente. Depois eles sopraram a água lá no Amazonas e o rio ficou muito largo.

Ao chegarem em casa, contaram o acontecido para o pai. Afirmaram que, a partir daquele dia, nunca mais teriam sede.

Rod Zandonadi (eu) é escritor de literatura de fantasia, adora podcasts, ama animes, séries e filmes da Marvel/DC. Sabe que um bom café é fundamental para um dia agradável, de preferência com mel. Além deste site, ele às vezes passa pelo blog do Luís Storyteller e no podcast Bardos de Litfan. Você pode encontrar meus livros na Amazon: https://amzn.to/2JZba8R E se quiser conhecer mais do meu trabalho: Wattpad - https://www.wattpad.com/rodzandonadi Blog Crônicas de Etherion - https://medium.com/cronicas-de-etherion

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